Sobre Nós

História

Na década de 70 a IECLB  (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) desafiada a enfrentar a realidade de exclusão e pobreza gerada pelo modelo econômico vigente e sensível a este desafio e aos clamores do povo, o p. Guido Tornquist busca uma área de atuação diaconal descentralizada, além dos muros da Igreja da Ressurreição. Esta busca foi animada pelo convite de um membro da IECLB residente em Mauá, de sobrenome Hanemann, de realizar um trabalho com crianças no Parque das Américas.

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Para realizar este trabalho, iniciou-se uma extensão do Centro Social Heliodor Hesse no Parque das Américas em Mauá. Para coordenar o trabalho, a Paróquia do ABCD contratou a missionária norueguesa Borghild Saetre. Em 1978 ela iniciou os encontros com as crianças, tendo permanecido até 1981. “Fé e vivencia do amor devem andar juntos”, este era o lema que animava sua atuação com as crianças, desenvolvendo um projeto de educar para a liberdade. O testemunho bíblico que baseava estas atividades é encontrado no Evangelho de Mateus: “os sãos não precisam de médico” (Mt 9. 12)).

Em 21 de setembro de 1980 foi fundado pela Paróquia do ABCD o Centro Comunitário Casa Mateus em um pequeno terreno com casa adquiridos na rua Estados Unidos, número 259. No início, as crianças do bairro eram convidadas para atividades lúdicas, instruções para a vida e formação na fé nos fins de semana. Com o tempo, foram incluídas as famílias e ampliados os horários de atuação bem como a oferta de atividades, em especial para as mulheres.

Em 1981, a missionária Saetre retornou ao seu país. A coordenação foi assumida pela missionária sueca Margareta Sköld que permaneceu até 1983. Em 1982 foi contratada a assistente comunitária Rivania Bergmann (hoje Kaneviecher). Estas duas deram uma nova dimensão à atuação da Casa Mateus no Parque das Américas. Elas inseriram os trabalhos da Casa no movimento das mulheres que lutavam por creches, saúde, pelo valor da mulher e contra a discriminação.

O trabalho diaconal da Paróquia do ABCD em Mauá foi se desenvolvendo com as pessoas do Bairro e envolveu também os membros de tradição evangélico-luterana residentes no município. Assim, foram realizados Cultos e criados grupos de Estudos Bíblicos que se reuniam na Casa Mateus e também em casas destes membros.

Logo sentiu-se a necessidade de criar Ponto de Pregação da Paróquia do ABCD, vinculado à Casa Mateus, e foi aberta uma vaga pastoral para realizar o trabalho. Esta foi ocupada pela pastora Haidi Jarschel em 1983 depois da saída da missionária Sköld. O ponto de pregação passou a chamar-se Comunidade Evangélica Jesus Ressuscitado.

A atuação da pastora Haidi deu novo impulso ao contato da Casa Mateus com o Bairro, seus movimentos de luta e o desenvolvimento da “consciência de mulheres e homens acerca de seus direitos de cidadãos na sociedade” (R. Schünemann). A grande preocupação era a de superar o paternalismo e o assistencialismo, oferecendo aos moradores do Bairro reais perspectivas de superar a pobreza.

Nesta linha, foram sendo qualificados e diversificados os cursos oferecidos na Casa Mateus. A partir do trabalho de “uma pedagoga formada e com larga experiência profissional” (R. Schünemann), o caráter educacional da Casa Mateus se acentuou.

As demandas por atendimento às necessidades do Bairro continuou a crescer, tanto que o prédio teve que ser ampliado várias vezes, até chegar ao estado atual. Oferecia-se reforço escolar, curso de marcenaria, semana do adolescente (em julho), além de uma creche inicialmente mantida por mães voluntárias.

Em 1990, com a saída da pastor Haidi, entrou o pastor dr. Rolf Schünemann, permanecendo até 1997, quando foi eleito primeiro pastor sinodal do Sínodo Sudeste. No tempo de sua atuação, ampliou os contatos ecumênicos e a agregação de membros da IECLB, chegando a usar a igreja anglicana de Mauá para os cultos. Também o caráter educacional da Casa Mateus se ampliou. A partir de parcerias com outras ONGs e com o poder público, foram oferecidos sempre mais cursos para adolescentes e jovens adultos. Nesta época também assumiu a coordenação geral da Casa Mateus a sra. Silvia Schünemann. Como primeira consequência, o trabalho com crianças foi gradativamente deixando de ser prioritário.

A diaconisa Gerda Dolores Nied entrou na vaga deixada pelo pastor Rolf permanecendo na Casa Mateus até o ano 2000. Em 2001 iniciou suas atividades a diaconisa Maria Eleni Pereira Leite que permaneceu até setembro de 2007. Estas duas diaconisas não tinham a coordenação geral da Casa, ocupando-se principalmente com o atendimento das famílias e das crianças em situação de necessidade extrema.

Por razões técnicas, a Casa Mateus criou em 1995 um CNPJ próprio. A independência administrativa, somada à distância geográfica, deram origem a uma segunda consequência daquele momento, que foi um certo distanciamento da Casa Mateus com relação aos princípios e à visão teológica da Paróquia do ABCD.

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